CENADO FEDERAL DEFENDE LIBERDADE DE IMPRENSA NO BRASIL

O senador Lasier Martins (PDT-RS) defendeu a liberdade de imprensa ao participar nesta sexta-feira (23) de sessão especial em homenagem ao 120 anos do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, completados em 1º de outubro. Em todo esse tempo, o Correio ficou apenas dois anos sem circular, sendo um dos jornais de maior circulação no estado, segundo a Associação Nacional de Jornais.
Além de Lasier, participaram da homenagem o senador Wellington Fagundes (PR-MT); os deputados federais Darcísio Perondi (PMDB-RS) e Maria do Rosário (PT-RS); o chefe do escritório de representação do governo do Rio Grande do Sul em Brasília, José Otaviano Fonseca; o diretor-executivo do Correio do Povo, Cleber Nascimento Dias; e o o ex-senador Mozarildo Cavalcanti, representante do governo de Roraima em Brasília.
O Correio do Povo foi fundado no dia 1º de outubro de 1895, poucos anos depois da Proclamação da República e da abolição da escravidão, pelo jornalista Francisco Antônio Vieira Caldas Júnior. Na época, o Rio Grande do Sul tinha duas grandes forças políticas, os maragatos, que se identificavam com lenços vermelhos no pescoço, e os chimangos, com lenços brancos. Para provar a independência do jornal, as primeiras edições foram impressas em papel rosa, o que fez com que ele ficasse conhecido como "róseo". Por muito tempo, escritores famosos no estado e no país tiveram presença certa no jornal. Entre eles, Machado de Assis, Érico Veríssimo e Mário Quintana.
Autor do requerimento de homenagem e colunista esportivo diário do Correio do Povo entre 1976 e 1984, Lasier disse que até hoje o jornal tem se voltado ao bom jornalismo, buscando a verdade sem lados e bandeiras. Observou também que até o presente momento o jornal "segue informando seu público leitor, propiciando formação de opiniões, cultivando os mesmos valores e mantendo a altivez e a independência nos momentos mais atribulados da vida política gaúcha".

Vocação cultural

Lasier disse que a história do Correio do Povo está contada em dois livros, Um século de poder e Correio do Povo: a primeira semana de um jornal centenário. O senador lembrou que a inauguração de Brasília mereceu um caderno especial de dez páginas na edição de 21 de abril de 1960 do jornal.
- O Correio do Povo sempre se destacou como um jornal de vocação cultural, assim como ligado ao campo, ao homem rural. O jornal ganhou um novo projeto gráfico, mas a linha editorial segue a mesma pelo grupo Record. O Correio do Povo é o Rio Grande do Sul falando com o povo gaúcho – afirmou.
O deputado Darcísio Perondi também ressaltou a importância da liberdade de imprensa, que ele definiu como "oxigênio da democracia". Disse ainda que Caldas Júnior, no conturbado fim do século 19, foi ousado e corajoso na fundação do Correio do Povo,  tendo sempre buscado a liberdade de imprensa, "ouvindo todos os lados na conturbada, disputada e aguerrida política gaúcha do passado".

Espaço de cidadania

A deputada Maria do Rosário disse que o Correio do Povo é um "espaço de cidadania, direitos e promoção de valores humanos". Ela afirmou que a história do jornal confunde-se com a história da República e que a publicação "embala o sentimento gaúcho de um Brasil democrático, mantendo-se como um veículo de comunicação equilibrado e presente na vida da população e na defesa da democracia".
O ex-senador Mozarildo Cavalcanti destacou a atuação do Correio do Povo e a importância da publicação para o povo gaúcho e para o Brasil. Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do Sul, Cláudio Pacheco disse que o jornal é um patrimônio do estado, por sempre ter mantido uma estreita parceria com os advogados gaúchos.
Diretor do Correio do Povo, Cléber Nascimento Dias agradeceu a homenagem e disse que o jornal foi fundado por um jornalista visionário, com a adesão valiosa de jornalistas locais, entre eles o negro Paulino Azurenha, sete anos após a abolição da escravatura.
- O Correio do Povo é um companheiro inseparável dos gaúchos e da história do estado, noticiando em suas páginas os principais acontecimentos do Rio Grande do Sul, do Brasil e do mundo. Uma geração de leitores e de anunciantes fez parte de uma história vitoriosa, de um empreendimento que marcou o panorama sulino em três séculos, com credibilidade e apostando na tecnologia – afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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