BRASIL DOS FILHOS DA MÃE

Confesso... Nunca gostei muito das "datas comerciais". Culpa da minha falecida mãe. Ela era radical. Na infância, dona Maria me educou a olhar criticamente para tais eventos mais focados em vendas que nos valores essenciais. A gente fica mais velho e termina os dias relativizando o entendimento enraizado nos tempos de criança. Talvez tenha sido afetado pelo processo "senso comum modificado". Assim, até aceito celebrar, do meu jeito muito particular, algumas destas efemérides consumistas.

A explicação é necessária para justificar por que pretendo, neste segundo domingo de maio, dar uma colher de chá e "homenagear" Dilma Rousseff. São gigantes as chances de ela comemorar seu último dia das mães como Presidenta. Pelas aspas, o meu leitor filho da mãe ou o meu crítico filho de chocadeira já deve ser percebido que a homenagem será às avessas e com uma fundamental ressalva. A Dilma que estamos botando pra fora não é a mãe de todos os males que assolam Bruzundanga.

Mãe Dilma não é causa, mas sim consequência de um modelo de fazer política (com p minúsculo) que caminha para o esgotamento. A velocidade dessa caminhada é, exatamente, o nosso problema. Tudo é muito lento, e com alto risco de nem mudar essencialmente. A cultura populista é a madrasta da nossa politicagem. Povo ignorante tem orgulho de fazer as piores escolhas. Mais grave: o filho da mãe do analfabeto político ainda tira onda pela merda que faz na escolha dos verdadeiros lixos que fingirão nos representar.

Majoritariamente, o Brasil é um País de Tolos. Natural que isto aconteça em uma Pátria que nunca foi educadora e muito menos "mãe gentil" (a não ser na mentirosa propaganda ideológica cantada em prosa e verso). A Elite (os melhores entre os mais qualificados) não tem hegemonia. As zelites, que mandam no pedaço, são craques em consagrar as unanimidades burras em torno dos conceitos errados, equivocados ou até, em muitos casos, criminosos. É assim que o crime sistemicamente organizado, além de compensar, termina se consolidando e parecendo vitorioso no País do maldito "jeitinho".

Mãe Dilma sabe que a banda toca assim. Ela sabe muito bem que está sendo tirada do poder pela mesma zelite que ajudou a elegê-la. O impeachment dela é resultado do "jeitinho" (aqui traduzido como a cínica representação da insegurança da lei, do direito e da justiça). A tese se confirma no conteúdo do ataque e da defesa de Dilma. O regramento excessivo no Brasil permite que se cumpra a lei do jeitinho que for conveniente. Foi assim que o Malvado Favorito tomou no Cunha... E a Mãe Dilma também vai tomar... Em resumo, no País do jeitinho, a Justiça fica inviável. O judiciário faz o que bem entender ou for conveniente aos esquemas hegemônicos de poder.

Vivemos tempos temerários... Mãe Dilma se prepara para uma temporada de Rainha da Cocada Preta: vai continuar morando no Palácio, porém deixará de reinar por pelo menos 180 dias, até que seu destino final seja resolvido, muito provavelmente por um impeachment. O sucessor dela, hoje um irregular "filho da viúva", ensaia cometer os mesmos erros da companheira Dilma, a eterna terrorista, que promete resistir ao seu modo autoritário esquerdista, stalinista, sem compromisso com o País e seu povo.

Esta semana começará um novo desgoverno velho. O Dia das Mães em recessão, tendendo a depressão, é apenas o sinal do caos que tende a continuar se ampliar. Como bem diz o Caboclo Mantiqueira, bom filho da mãe que escreve sempre aqui embaixo, "vai-te-mer-da"...                                                                                                                                                                                                                                                           Por: Roberto Tomé.



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