Nós, Advogados, somos contadores de histórias.Penso que poder-se-ia contar histórias de pessoas, famílias, empresas, cidades e até de países por meio das demandas judiciais das quais participaram, seja como autores, réus ou interventores. Transferimos para o papel histórias de amor fracassadas (divórcios), dramas familiares (inventários litigiosos), amores não correspondidos (investigações de paternidade), paixões errantes (reconhecimento de união estável), gestos divinos de amor (adoção), traumas e constrangimentos (danos morais), e tantas outras.
As vezes escrevemos as histórias (petição inicial) e às vezes escrevemos a continuação delas (contestação), que, via, de regra, altera completamente o roteiro original. Há histórias de apenas dois personagens (polos unitários) e outras com vários protagonistas (litisconsórcios) e até casos em que surgem personagens no meio da história (intervenções).
As histórias que escrevemos são contadas em capítulos (petição inicial, contestação, reconvenção, impugnação, etc.) e cada escritor se encarrega do roteiro de um personagem.
Diferentemente da literatura tradicional, nas nossas histórias não há bandidos, só mocinhos! Se num capítulo (petição inicial) um personagem é apontado como bandido, no capítulo seguinte (contestação) ele vira mocinho, inevitavelmente.
As histórias escritas por nós, Advogados, tem uma peculiaridade. O final é submetido a um diretor (juiz) que às vezes muda o roteiro e acaba exterminando nosso melhor personagem (cliente), para quem tínhamos escrito um final feliz (pedido). Contudo, podemos escrever um novo capítulo e fazer a história recomeçar (recurso), o que pode provocar uma reviravolta no enredo (reforma) ou “matar” todos os personagens (anular a sentença). É nesta hora que entram vários roteiristas (desembargadores) que vão analisar as falas (depoimentos) e as ações (fatos) dos protagonistas.
As nossas histórias não começam com “era uma vez” mas lutamos com unhas e dentes para que os nossos personagens (clientes) sejam felizes para sempre.
Da redação
com Claudio Cunha