Em
meio à mais grave crise financeira de sua história, a Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) planeja também fechar cerca de
200 agências neste ano, além de uma série de medidas de redução de
custos e de reestruturação da folha de pagamentos.
A empresa acumula dois rombos de R$ 4 bilhões nos últimos dois anos. Os Correios fecharam o ano passado com prejuízo em torno de R$ 2 bilhões,
após registrar perdas de R$ 2,1 bilhões em 2015. “Estamos trabalhando
para reverter esse quadro. O objetivo é colocar a empresa no azul neste
ano”, disse o presidente ao G1.
Cortes
Aberto
em janeiro, o Plano de Desligamento Incentivado para Aposentados (PDI)
tem como público-alvo os empregados com mais de 55 anos, com tempo de serviço para requerer aposentadoria. O prazo para adesão termina nesta sexta-feira (17).
Inicialmente,
a expectativa era ter de 6 mil a 8 mil adesões, com economia anual de
R$ 700 milhões a R$ 1 bilhão. Agora, a meta foi reduzida. “A nossa
expectativa é ficar em torno de 5 mil. Só os 3 mil que já aderiram já
representam uma economia anual da ordem de R$ 400 milhões”, afirmou
Campos.
Segundo
ele, mesmo com a adesão menor, outras medidas complementares ajudarão a
empresa a reduzir os seus custos para voltar a gerar resultados
operacionais positivos.
Só
com cortes de funções e cargos comissionados, a empresa diz ter
conseguido uma economia da ordem de 20% na folha de pagamentos de
janeiros.
Os Correios contam com 117 mil empregados atualmente.
Fechamento de agências
Segundo
os Correios, o fechamento de cerca de 200 agências acontecerá sobretudo
nos grandes centros urbanos. “Estamos fazendo um processo de otimização
onde houver superposição de agência, inclusive para poder aproveitar os
reflexos do PDI”, explicou Campos.
Os Correios acompanham o
movimento de racionalização e corte de pessoal que também está sendo
feito por bancos estatais como Caixa Econômica Federal e Banco do
Brasil.
Em
tempos de recessão e rombo recorde nas contas públicas, o governo tem
incentivado esses programas de desligamento voluntário, até mesmo para
tentar afastar a necessidade de aporte federal em estatais em
dificuldades financeiras.
Reajuste de tarifas
Outro
reforço no caixa dos Correios deverá vir de um reajuste das tarifas
postais nos próximos meses. A estatal afirma que há uma necessidade de
um aumento da ordem de 7% por causa do represamento das tarifas em anos
anteriores, quando não houve repasse integral da inflação.
“Existe
uma demanda nossa por um resto de recuperação de tarifas, que já foi
encaminhado em janeiro para o Ministério do Planejamento”, explica o
presidente. “Estamos aguardando”.
Para
Campos, outro ponto fundamental para reestruturar o orçamento dos
Correios é encontrar um novo formato para o plano de saúde dos
funcionários dos Correios, o Postal Saúde. Segundo ele, este custeio é o
responsável pela maior parte do déficit registrado nos últimos anos.
Pelo
modelo, a estatal arca com 93% dos custos dos planos de saúde e os
funcionários com 7%. “Estamos negociando com os trabalhadores, com os
sindicatos, buscando uma alternativa. Nos moldes que está é impossível
de ser mantido”, diz.
Apesar
de afirmar ter ficado assustado com a desorganização encontrada na
administração da empresa, o presidente dos Correios diz acreditar na
recuperação e viabilidade da operação e afirma que a privatização nas
está nos planos do governo.
“Do
ponto de vista de negócios, querer privatizar nesse momento seria
entregar a empresa praticamente de graça”, diz. “O desafio de se fazer
tudo aquilo que não foi feito em 10 anos. Esse aqui tem que ser o ano da
virada”.
